Capa: O Bocejo Passeou
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O Bocejo Passeou

Uma voltinha macia pelo fim do dia

Por histórias&etc · Revisão editorial: Roberto Filho·1 leituras·18 de agosto de 2026

Ritmo da leitura

Escolha o tamanho ideal para esta noite

Se a criança já está quase dormindo, comece pela versão curta. Se ainda há tempo, siga para a leitura completa.

O sol desceu devagar até encostar no rio.

A água ficou laranja. Depois rosa. Depois cor de sono.

Na beirada do rio estava Nina, a capivara.

Nina é macia como um travesseiro. O pelo da Nina cheira a capim.

Nina piscou um olho. Piscou o outro.

E abriu a boca bem grande:

Aaaaah.

Que bocejo enorme. Um bocejo do tamanho do rio.

O bocejo era tão grande que não caber dentro da Nina. Então ele escapou.

O bocejo saiu passeando.

Nina nem viu. Nina já estava dormindo na terra morninha.

O bocejo andou pela margem. Passou pela pedra molhada. Passou pelo capim alto. Passou por uma poça com uma estrela dentro.

E chegou num montinho de terra.

Lá estava o tatu Tico. Cava, cava, cava.

O bocejo entrou no Tico.

O Bocejo Passeou — cena 1

— Aaaaah — fez Tico.

Tico parou de cavar. Tico se enrolou, se enrolou, virou uma bolinha.

— Boa noite, Tico.

E o bocejo passeou.

Subiu pelo tronco. Subiu pelo galho. Subiu pela folha.

Lá em cima estava a preguiça Lelê. Lelê faz tudo devagar.

— Aaaaaaaaah — bocejou Lelê, deva-ga-ri-nho.

A folha balançou. Lelê abraçou o galho. Fechou um olho. Depois o outro.

— Boa noite, Lelê.

E o bocejo passeou.

Pulou de galho em galho até o sagui Pipi.

Pipi é pequenininho. Pipi quer ver tudo.

— O que é isso? — perguntou Pipi.

Era o bocejo.

— Aah — fez Pipi. Um bocejo do tamanho de uma folha novinha.

O Bocejo Passeou — cena 2

A mamãe abriu o braço. Pipi encostou a cabeça no ombro dela.

O peito da mamãe faz tum, tum, tum.

— Boa noite, Pipi.

E o bocejo passeou.

Agora voando. Por cima das folhas. Por cima do rio.

Encontrou o tucano Tuca, de bico amarelo e laranja.

— Aaaaah — fez Tuca.

O bico grande abriu e fechou. Tuca guardou o bico debaixo da asa.

Ficou parecendo uma frutinha no galho.

— Boa noite, Tuca.

E o bocejo desceu macio. Desceu como pluma. Desceu como folha caindo.

Passou pelo rio quieto. Passou pela janela. A cortina balançou só um pouquinho.

E o bocejo chegou aqui.

Bem aqui, pertinho do seu ouvido.

Ele é quentinho. Ele faz cosquinha na bochecha.

O Bocejo Passeou — cena 3

Ele diz, bem baixinho: já é hora.

Abre a boca. Deixa o bocejo passear em você também.

— Aaaaah.

Isso. Que bocejo bonito.

Agora fecha um olho. Agora fecha o outro.

A mão descansa. O pé descansa. A cabeça afunda no travesseiro.

Lá fora, o rio faz shhh, shhh.

Tico dorme enroladinho. Lelê dorme abraçada no galho. Pipi dorme no colo da mamãe. Tuca dorme com o bico debaixo da asa.

E Nina dorme na beira do rio, macia, macia, macia.

Todo mundo dormindo. Cada um no seu lugar quentinho.

O sono chegou de bichinho em bichinho. E chegou aqui também.

Boa noite, Nina. Boa noite, Tico. Boa noite, Lelê. Boa noite, Pipi. Boa noite, Tuca.

Boa noite, rio. Boa noite, estrela na poça.

E boa noite para você.

Aaaaah.

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