A Sementinha que Queria Acordar
Uma soneca quentinha debaixo da terra
Ritmo da leitura
Escolha o tamanho ideal para esta noite
Se a criança já está quase dormindo, comece pela versão curta. Se ainda há tempo, siga para a leitura completa.
Debaixo da terra, tudo é escuro.
Escuro macio. Escuro quentinho.
Bem no fundinho dorme uma sementinha. Pequenina, pequenina. Do tamanho de um pingo. Do tamanho de um beijo.
Ela dorme enroladinha. Enroladinha como um gatinho. Enroladinha como você.
Devagarinho, chega a minhoca Manu. Manu é comprida. Manu é rosada. Manu anda devagar, devagar, devagarinho.
— Bom dia, sementinha.
A sementinha abre só um olhinho.
— Ainda é soninho, Manu.
— Tudo bem. Dorme mais.
E Manu vai embora, cavando seu tunelzinho macio.
Lá em cima, o céu fica cinzinha.
Plic.
Plic, plic.
É a chuvinha! A água desce devagar pela terra e chega na sementinha.
A sementinha bebe um golinho. Glup.
Bebe outro. Glup, glup.

E fica um pouquinho maior. Só um pouquinho.
Depois a chuva vai embora. As nuvens se abrem. E chega o Sol.
O Sol é grande. O Sol é amarelo. O Sol é morninho.
O calorzinho desce como um cobertor de sol.
A sementinha se espreguiça para baixo: nasce uma raizinha. Desce, desce, desce.
A sementinha se espreguiça para cima: nasce um brotinho. Sobe, sobe, sobe.
Manu passa e para.
— Você acordou!
— Só um pouquinho.
— Um pouquinho já é muito — diz Manu.
O brotinho empurra a terra. Empurra devagar. E aparece uma luzinha fininha, fininha.
— Que luz bonita.
Empurra mais. Cabe mais luz.
A chuvinha volta: plic, plic. O Sol volta: quentinho, quentinho. Manu volta: cosquinha, cosquinha.
Um dia. Outro dia. Mais um dia. Sem pressa nenhuma.
Até que, numa manhã…

Pluft!
O brotinho aparece lá fora!
Nossa, como é grande aqui fora. Tem vento macio. Balança, balança. Tem céu azul, enorme. Tem passarinho cantando longe. Tem cheirinho de chuva na grama.
— Oi, mundo — diz o brotinho.
Manu põe a cabecinha para fora e bate palminhas de minhoca.
— Você conseguiu!
— Devagarinho — diz o brotinho.
— Devagarinho é o jeito certo.
Os dias passam macios. Nasce uma folhinha. Depois outra. Depois um caulezinho firme.
E então, bem no alto, aparece um botãozinho fechado. Fechadinho, como uma mãozinha dobrada.
De manhã, o Sol chega e diz baixinho:
— Bom dia.
E o botãozinho abre. Uma pétala. Outra pétala. Mais uma.
E nasce uma flor. Pequenina. Cor-de-rosa. Do tamanho de um pingo. Do tamanho de um beijo.
— Olha só você — diz Manu.
— Olha só eu — diz a florzinha.

O dia passa devagar. Uma borboleta encosta de levinho.
A tarde fica dourada. O Sol desce, desce, desce atrás do morro.
O céu fica cor-de-rosa. Depois roxinho. Depois azul-escuro.
Manu boceja.
— Boa noite, florzinha.
— Boa noite, Manu.
E Manu vai devagar, devagar, devagarinho para o seu tunelzinho quentinho.
Aparece uma estrelinha. Depois outra. Depois muitas.
O vento fica bem manso. Tudo fica quieto. Bem quieto. Quietinho.
A florzinha fecha uma pétala. Fecha outra. Fecha mais uma.
Devagar, devagar, devagarinho.
— Agora sim — diz ela bem baixinho. — Agora sim, boa noite.
Lá embaixo, as raízes quentinhas. Lá em cima, as estrelas acesas.
E a florzinha dorme. Dorme feliz. Enroladinha na noite, como um gatinho.
Como você.
Boa noite, florzinha.
Boa noite.




