Capa: A Nuvenzinha que Guardava Bocejos
Fantasia0-3 anos3 min

A Nuvenzinha que Guardava Bocejos

Uma história macia para fechar os olhos

Por histórias&etc · Revisão editorial: Roberto Filho·0 leituras·18 de agosto de 2026

Ritmo da leitura

Escolha o tamanho ideal para esta noite

Se a criança já está quase dormindo, comece pela versão curta. Se ainda há tempo, siga para a leitura completa.

O céu ficou azul. Depois azul-escuro. Depois quase preto.

Lá bem no alto, uma nuvenzinha acordou. Ela era pequena. Era macia. Era Nuvinha.

Nuvinha se espreguiçou. Esticou um pedacinho para cá, um pedacinho para lá. E fez assim: puf.

Puf é o barulho de nuvem acordando. É bem baixinho.

Nuvinha pegou o saquinho dela. O saquinho era branco. O saquinho era vazio. É o saquinho de guardar bocejos.

Porque toda noite todo mundo boceja. E os bocejos ficam soltos por aí. Alguém precisa guardar.

Um vaga-lume amarelo veio voando.

— Oi, Nuvinha — disse o vaga-lume.

— Oi, Pisca — disse Nuvinha.

Pisca acende. Pisca apaga.

Os dois foram juntos, devagarinho, por cima dos telhados mornos.

Na primeira janela tinha um gatinho numa almofada vermelha.

A Nuvenzinha que Guardava Bocejos — cena 1

— Aaah — bocejou o gatinho.

O bocejo saiu voando como uma pluminha. Nuvinha esticou o saquinho e fez: puf. Guardado.

— Boa noite, gatinho — sussurrou Nuvinha.

Na segunda janela tinha um cachorro grande e peludo num tapete listrado.

— Aaah — bocejou o cachorro.

Esse bocejo era gordinho. Subiu rodando no ar. Nuvinha pegou. Puf. Guardado.

O cachorro bateu o rabo no tapete uma vezinha. E parou.

Pisca acende. Pisca apaga.

Na terceira janela tinha um bebê. O bebê se chamava Tomé.

Tomé estava no berço, com um pé de fora e a bochecha quentinha no colchão.

Tomé abriu a boca bem, bem, bem grande.

— Aaaah — bocejou Tomé.

Ai, que bocejo! Foi o maior bocejo da noite. Saiu enorme e fofo, como um travesseiro voando.

A Nuvenzinha que Guardava Bocejos — cena 2

Puf! Guardado.

E aí o saquinho ficou cheio. Cheio, cheio, cheio. Tão cheio que ficou redondo. Tão redondo que ficou pesado.

— Ui — disse Nuvinha.

Ela tentou ir rápido. Não foi. Ela foi bem devagarinho. Assim ela foi.

— Vamos lá em cima — disse Pisca.

Lá em cima tinha a Lua Redonda. Grande. Calma. Branca como leite.

Nuvinha subiu devagar, com o saquinho cheio na barriga.

— Solta, Nuvinha — disse a Lua, bem baixinho.

Nuvinha abriu o saquinho.

Os bocejos saíram. Saíram macios. Saíram como algodão.

Um foi para lá. Um foi para cá. Um ficou rodando em volta da Lua. Os bocejos grudaram nas estrelas, escorregaram pelos telhados, entraram pelas janelas.

E aí a noite toda ficou com sono.

O gatinho dormiu na almofada vermelha. O cachorro dormiu no tapete listrado. E o bebê Tomé dormiu com o pezinho de fora.

A Nuvenzinha que Guardava Bocejos — cena 3

Tudo ficou quieto. Quieto, quieto, quieto.

— Cansou? — perguntou Pisca.

— Cansei — disse Nuvinha.

— Dorme — disse Pisca.

Pisca acendeu uma última vez. Uma luzinha amarela, pequena, redonda. E apagou.

Nuvinha bocejou também.

— Aaah.

Esse bocejo era só dela.

Então ela se enrolou na luz da Lua, como quem se enrola num cobertor. Ficou branquinha. Ficou molinha. E fez: puf. Um puf bem pequeno, o último da noite.

Amanhã tem mais. Mas agora não. Agora é hora de dormir.

Fecha os olhos devagar. Sente a bochecha quentinha no travesseiro. O sono vem devagarinho, macio feito algodão. Alguém guardou ele com carinho, só para você.

Boa noite, gatinho. Boa noite, cachorro. Boa noite, Tomé. Boa noite, Pisca. Boa noite, Lua. Boa noite, Nuvinha.

E boa noite, você.

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