Pipa e o Barquinho de Folha
uma pequena viagem pelo riacho do quintal
Ritmo da leitura
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No fim de uma tarde dourada, quando o sol pintava tudo de mel, uma joaninha chamada Pipa passeava pelo quintal. Ela adorava olhar embaixo das folhas e perguntar "o que será isto?" para cada coisinha que encontrava.
Foi então que viu algo cintilar perto do riacho. No chão macio brilhava uma semente, redondinha, soltando uma luz suave, como uma estrela caída do céu. Mas ela piscava devagar, quase triste.
— Alguém perdeu seu brilho — sussurrou Pipa. — Vou te levar de volta.
Mas como atravessar o riacho? Pipa pensou, pensou, e olhou para cima. Uma folha larga e verde balançava bem ali. Com um empurrãozinho, a folha caiu na água e boiou como um barquinho perfeito.
— Um barco! — comemorou Pipa.
Com cuidado, colocou a semente no meio e subiu. A água fazia plim, plim nas beiradas. Logo encontrou Teodoro, o sapo, sentado numa pedra morna.

— Cuidado adiante — disse ele. — Tem um lugar onde a água corre mais depressa.
E, quando a correnteza girou o barquinho como um pião, Teodoro mergulhou sem barulho e, com uma patada gentil, guiou a folha até a água ficar quieta de novo.
— Obrigada! — disse Pipa, o coração ainda batendo forte.
O barquinho seguiu. De repente, um brilho diferente cruzou o céu: eram asas de vidro, finas e cheias de luz.
— Olá, pequena! — cantou Dona Libélula. — Está procurando alguém?
— Quero devolver esta semente. Ela está com saudade de casa.

— Eu sei onde é. Siga a correnteza até a margem florida.
Dona Libélula voava na frente, deixando um rastro de luz. O sol descia macio, e tudo ficava cor de laranja e ouro. Então a margem apareceu, cheia de flores de todas as cores. No meio delas, uma florzinha de pétalas azuis parecia procurar algo no chão, cabisbaixa.
— É ela — sussurrou a libélula.
Pipa encostou o barquinho e caminhou até a flor com a semente nas patinhas.
— Com licença. Acho que isto é seu.
A florzinha ergueu as pétalas devagar. Quando viu a semente, seu centro se abriu de alegria.

— Meu brilho! Meu tesouro! Obrigada, pequena joaninha!
Pipa colocou a semente junto às raízes da flor. Na mesma hora, um perfume doce se espalhou pela margem, doce como bolo quentinho.
— É o meu jeito de agradecer — disse a flor. — Você tem um coração enorme para uma joaninha tão pequena.
Pipa sentiu algo quentinho por dentro, como sol batendo na barriga.
Então subiu de novo no barquinho. Agora a correnteza a levava para casa, devagarinho, sem pressa. O céu estava cor-de-rosa e violeta. Ela passou por Teodoro dormindo em sua pedra, com um ronquinho suave, e viu os vaga-lumes acendendo suas lanterninhas, um a um, como estrelinhas baixas.
O barquinho balançava. Para cá, para lá. Para cá, para lá.
Pipa deitou a cabecinha na folha macia. Pensou na flor feliz, no sapo gentil, na libélula de luz. Ajudar tinha sido a aventura mais bonita do dia. E, embalada pela água que corria baixinho, a pequena joaninha adormeceu sorrindo, enquanto o riacho a levava para o sono mais tranquilo de todos.




