Tito e o Outro Lado da Colina
Uma pequena expedição na mesa de cerâmica
Ritmo da leitura
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Quando Celina guardou as ferramentas, a vila de barro ainda precisava de muitos cuidados. Faltavam telhados, a escada estava incompleta e havia cantinhos esperando pelas suas mãos.
Mas isso ficava para amanhã. Ela estendeu um pano úmido sobre as casinhas e saiu do ateliê.
Perto de uma pequena colina, um restinho de barro se mexeu. Era Tito, miúdo como uma ameixa e curioso para conhecer o que ainda não conseguia ver.
O pano deixava o ar fresco. Pelos fios do tecido, a luz entrava em risquinhos.
Tito se esticou, tentando olhar por cima da colina. Não adiantou.
— Vou dar a volta — decidiu baixinho.
Juntou as pontas do corpo até virar uma bolinha e começou a rolar. O caminho parecia liso, mas estava cheio de pequenas surpresas: uma marca de ferramenta, um risco fundo, uma ondinha de barro.

Ao passar pela ondinha, sentiu cócegas.
Perto da escada, parou um instante. Dali, o primeiro degrau parecia um banco, e a janela da casa vizinha era pequenininha como uma ervilha.
Depois, chegou a um arco baixo. Redondo daquele jeito, ficaria apertado.
Tito alongou o corpo, espalhou um pouco os lados e virou uma fita de barro.
— Agora minha barriga passa.
Deslizou devagar pela sombra do arco. Primeiro saiu uma ponta, que se ergueu para espiar. Depois veio o resto.
Do outro lado, um terraço largo acompanhava a colina. Tito juntou o corpo outra vez, mas não fez uma bola. Achatou-se num disco gordinho.

Levantando uma borda e depois a outra, seguiu pelo terraço.
Ploc… ploc…
Era um passeio com balanço.
Lá de cima, reconheceu os telhados e o lugar onde havia começado. Deu mais alguns passinhos macios, contornou a colina e encontrou um quintal.
Havia uma porta nos fundos de uma casa, um pedaço de chão ainda áspero e uma folha caída.
Tito se aproximou da folha. Encostou nela, virou o corpo com cuidado e se deitou.
Que lugar bom. A folha tinha linhas fininhas e uma curva perto do cabinho, bem do tamanho das suas costas.

Naquele canto, a luz era mais suave. Uma gota caiu de um pincel dentro de um copo. Tito ficou descansando, sem procurar mais nada.
Quando se levantou, percebeu uma novidade: as linhas da folha tinham ficado marcadas no seu corpo.
— Ganhei um desenho — murmurou.
Deixou a folha onde estava e foi até a porta da casinha. Dobrou uma ponta, ajeitou a outra e se acomodou como um pequeno degrau, com o desenho para cima.
Poderia mudar de forma depois. Agora, estava bom assim.
Mais tarde, Celina voltou para conferir se o barro continuava úmido. Ao levantar o tecido, encontrou aquele degrau enfeitado junto à porta.
Sorriu e tornou a cobrir a vila com cuidado.
Debaixo do pano fresco, Tito descansou. O desenho da folha ficou guardado na penumbra, e o quintal sossegou.
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